11.10.06
Mudança de ares (e de gênio)
[16:32]
Após o episódio anterior (que só terminou às 3:30 da manhã de hoje), encontro-me no refúgio mais próximo que posso chegar neste inferno de mundo: a casa de vovô, Rio de Janeiro, cidade maravilhosa e cheia de gente pra não se conhecer, cheia de merda de cachorro na rua e cheia de gritos de freios de ônibus, que poluem a mente mais que qualquer grito de patricinha estérica, por mais estérica que seja. A vida na cidade grande é diferente, diferente do bairro Niterói, diferente da sobrevida em Boassú(çú), diferente das minhocas do interior, ou seja, diferente da porra toda a qual eu estou acostumado. A vida na casa do vovô também é diferente. Aqui eu costumo me emburguesar um pouco, porquê um pouco disso também não faz mal. Costumo esquecer dos problemas triviais, enxergar a vida com mais afeição, destruir os sentimentos ruins que vivem dentro de mim. E pode-se dizer que cada hora deste remédio dura por um dia logo após o fim de sua utilização, o que contabiliza algumas semanas de paz interior. Depois disso eu volto a correr atrás dela por mim mesmo. Cada barra de Nutry, obviamente sorratinada da dispensa, também adiciona algumas horas (senão na paz interior, nos gases interiores) a serem utilizadas(os) depois. O autor desta singela carta ao mundo retorna ao ponto zero (onde a variação de posição torna-se nula, juntamente da média da aceleração, levando-se em conta apenas um referencial para ida e volta), à sua humilde residência (de três andares, no centro da cidade, com piscina, sauna, jacúzi, ofurô, dez quartos, oito meios e dois inteiros, sete vírgula oitenta e um banheiros, área de serviço com mil metros quadrados, casinha, loja de conveniência e -- recém instalada -- a jaula da minha irmã), amanhã, em horário a ser determinado pela agenda cheia.
Observação inútil: quando eu mexo o mouse desta porcaria a caixa de som faz "Bzzzz". Da primeira vez que eu ouvi esta aberração da eletrônica acontecer perguntei-me "Que merda é esta?", mas logo depois me acostumei com o barulho mosquitônico. É a vida.
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