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28.12.06

  Primeira vez  [20:06]
   Minha primeira vez demorou duas horas. No dia anterior eu já imaginava os cuidados prévios, as posições... E aquelas curvas dela, que não saíam da minha cabeça. Era como se eu nunca tivesse feito (e nunca tinha feito mesmo).
   No dia, logo que acordei, já me perguntava se eu me sairia bem. "Será que eu agüento?", era o que eu pensava, batia as mãos, esfregava uma na outra bem rápido e dizia: "É hoje!". O que para os outros poderia ser algo normal (dizem que os motoristas de caminhão são os melhores disparados nesse tipo de coisa), para mim, adolescente na flor da idade, era uma sensação muito nova.
   Quando chegou a hora do vamos ver, a última coisa que pensei foi em desistir. Apesar da apreensão, estava calmo. Minhas tremedeiras repentinas eram mais de excitação que de medo. Me imaginava fazendo coisas que ninguém jamais havia feito, mas acabei optando por fazer no método trivial. Para a primeira vez já seria muito bom se eu conseguisse chegar até o fim.
   Quando a vi na minha frente, me esperando, não hesitei em começar logo. Deslizei centímetro por centímetro até me familiarizar com ela e com meu próprio equipamento. Aproveitei cada pedaço, olhei tudo. Olhei para a frente, para trás, para seus lados, para suas curvas (ah, que curvas) e para os faróis acesos.
   Quando terminei meu pai segurou minha mão e dise, rindo: "Tá nervoso!". E devia estar mesmo. Eu estava indo para a casa do meu avô e, chegando lá, todo mundo ficou sabendo do que eu tinha feito. Acabaram me parabenizando, afinal eu já tinha dezoito anos. Meu tio, que sempre me chamou de "boiolinha", ficou espantado. A melhor parte ficou para logo depois, quando me perguntaram e pude, pela primeira vez, falar sobre o assunto.
   -- E a estrada de lá pra cá, como está?
   -- Boa. Muito boa.


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